
O tempo, este conceito inventado para definir-mos o consecutivo envelhecer. Porque as coisas passam por nós porque o mundo existe com pequenos ciclos que por alguma razão que me ultrapassa tivemos de nomear.
Mas é quando aquilo a que definimos tempo existe de sobra que nos apercebe-mos que existe o conceito para que as horas mortas tenham nome. E essa sobra de tempo deprime-nos aborrece-nos.
E nada parece concreto tens demasiado tempo para pensar as coisas, e apesar disso tudo é sempre a mesma incerteza, as inseguranças e as perguntas aparecem nesta mesma altura, és feliz? como serás feliz? o que procuras? o que queres fazer? em quem te tornas-te? és a pessoa que tinhas sonhado em criança? Amas?
E nenhuma delas têm resposta, ficas triste, relembras os saudosos anos em que nenhuma mágoa te atormentava, em que ninguém te tinha maltratado, e te tinha feito sentir depressível, em que amavas o mundo, sem qualquer excepção. E alguns anos mais tarde, não muitos, és um conjunto de mágoas e defesas, és um ser escuro e com medo. Medo de amar, medo de te entregar novamente de olhos fechados, e não vendo que assim te afastas do caminho do amor.
E assim passo os dias e as horas perdido dentro de mim e nos meus desejos de amor, por vezes tenho algum receio de nunca mais te sentir. Receio de terminar sem ti, o meu medo de envelhecer não é grande, mas envelhecer sem ti isso sim assusta-me, entro em pânico só de pensar. Senti serei eternamente incompleto.
Eternamente esperarei pelo amor, és tu que tudo move, és tu que tudo mudas, és tu que tudo transformas em pura alegria de viver, é por ti que espero nas minhas horas de solidão.

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